Investimentos

Copom eleva taxa Selic a 4,25% ao ano

16/06/2021

Com um comunicado que adotou um tom um pouco mais hawkish que o observado recentemente, o Copom anunciou uma nova alta de 75bps na taxa Selic, a 4,25%. Embora a decisão já fosse esperada por boa parte do mercado, o comunicado que a acompanhou trouxe algumas novidades – principalmente no que diz respeito às projeções da instituição e à extensão do atual ciclo de aperto.

No que diz respeito à atividade, o Copom fala que no cenário externo a recuperação segue robusta, mas que diante a persistente ociosidade, os estímulos fiscais e monetários deverão continuar nas principais economias. Por aqui, o comunicado cita a recuperação em curso, apesar da segunda onda da pandemia – e que vem provocando revisões altistas para o crescimento do país. Com isso, o BC diz que “os riscos para a recuperação econômica reduziram-se significativamente”.

Sobre o cenário inflacionário, a autoridade monetária, que até então defendia que o choque seria temporário, admite que a persistência da pressão inflacionária tem sido maior que o esperado, especialmente nos preços de bens industriais. Foram citados, ainda, riscos de curto prazo, como o preço da energia elétrica e a deterioração do cenário hídrico. Com isso, o comunicado trouxe novas projeções de inflação: o Copom espera, agora, um IPCA em 5,8% ao fim de 2021 (de 5,1% na reunião anterior) e de 3,5% em 2022 (vs. 3,4%). Tal cenário não se concretizaria, e teria inflação mais baixa que o projetado, no caso de uma reversão parcial dos preços das commodities no cenário internacional. Por outro lado, o risco altista permanece atrelado ao prolongamento de políticas fiscais como resposta à pandemia.

Sobre os próximos passos, talvez aqui tenha acontecido a principal mudança do comunicado, responsável inclusive pelo tom mais duro que o observado até então: o Copom deixou de falar de normalização parcial da taxa de juros, e passou a falar em levar a taxa Selic ao patamar considerado neutro. Isso implica que o ciclo de aperto monetário provavelmente será maior que o inicialmente sinalizado e esperado pelo mercado. Sobre as próximas altas, outra novidade: o BC voltou a dizer que na próxima reunião prevê um ajuste na taxa Selic da mesma magnitude (75bps), mas acrescentou que uma deterioração nas expectativas de inflação poderia exigir uma redução mais tempestiva dos estímulos monetários. Cabe notar que a Focus vem trazendo esta deterioração das expectativas já há algumas semanas, então não seria exagero dizer que, neste momento, a balança está mais para um aperto monetário mais forte por parte do Copom.

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