Educação Financeira

Diversificar para diluir riscos

17/07/2020
No consenso popular, existe uma frase que é bastante útil para os investidores iniciantes: “não coloque todos os ovos em uma única cesta”. A metáfora visa alertar que no caso de algum acidente de percurso, todos os “ovos” estarão em risco de quebrarem de uma vez, causando um grande prejuízo. No mercado financeiro, a palavra que resume tudo isso é: diversificação. Trata-se de uma estratégia amplamente usada para fazer múltiplas escolhas de investimentos, colocando o dinheiro em diferentes tipos de ativos e aplicações a fim de aumentar os ganhos e/ou garantir a segurança do patrimônio. A impossibilidade de prever todos os fatores torna a diversificação uma proteção contra eventos extraordinários e que só precisam acontecer uma vez para destruir um patrimônio inteiro.

Neste ano, o mercado global foi impactado pela crise do coronavírus e os investidores puderam sentir que a economia varia de acordo com inúmeros agentes, aumentando a volatilidade dos ativos financeiros. Por isso, diversificar é uma forma de diluição de risco. O investidor, provavelmente, não lucrará o máximo possível com um ativo, ao aplicar menos nele, mas também não perderá o mais dinheiro com ele em caso de uma queda acentuada dos mercados. Em menor ou maior grau, aplicar dinheiro envolve riscos e o mercado financeiro – vide artigo sobre o tema aqui– é altamente imprevisível. Mas esse aumento do número de investimentos ajuda a enfrentar os ciclos econômicos de alta e de baixa.

A exemplo disso, temos as companhias aéreas que tiveram quedas que giraram em torno de 80% esse ano. O investidor que estava 100% exposto aos ativos destes papéis viu suas economias derreterem. Já aqueles que contrabalancearam as ações da indústria aérea com as de companhias ferroviárias, por exemplo, tiveram apenas uma parte do seu portfólio afetada e as perdas foram menores, mantendo o saldo de suas aplicações positivas. Veja que o investidor precisa proteger seus rendimentos dos distintos ciclos econômicos e a diversificação tem esse papel. Além disso, quem tem conhecimento e disciplina consegue usar a diversificação como aliada para garantir melhores rentabilidades, de acordo com as alternativas de ganhos a curto e longo prazo.

Mas como diversificar investimentos?

Se para muitos investidores já é difícil escolher onde começar a investir, escolher vários ativos para aportar o dinheiro parece praticamente impossível. Sua carteira, pode conter produtos de Tesouro Direto, ações, fundos de investimentos, derivativos e muitos outros tipos de investimentos com prazos e rentabilidades distintas. Não existe fórmula mágica, pois tudo depende muito do perfil do investidor e o primeiro passo é descobrir o seu – leia mais no artigo aqui. Para ter um portfólio completo, o investidor precisa incluir diferentes tipos de produtos que estejam em diversas classes (renda fixa e renda variável, por exemplo), setores (aéreo, agropecuário, tecnologia, por exemplo) e geografias, visando mitigar os riscos e ampliar os ganhos. Para ajudar, a Consulenza tem recomendações mensais de alocações separas por perfil – confira a desse mês no Relatório Mensal - Julho 2020.

Comprar produtos variados não quer dizer necessariamente diversificação, pois ao diversificar, o investidor precisa traçar uma estratégia integrada de acordo com o seu planejamento financeiro pessoal. A ideia é que você vire sócio das empresas em que investe, e não que você queira multiplicar seu dinheiro da noite para o dia. O investidor deve acompanhar e fazer o rebalanceamento periódico da carteira, verificando o que está valendo a pena e o que não está indo tão bem. 

No cenário atual de juros baixos – leia o artigo sobre a Taxa Selic –quem quer mais retorno precisa aceitar mais risco. Independentemente de quanto risco o investidor está disposto a correr, todos se sentem aliviados ao saber que o dinheiro está protegido. Independente do gosto ao risco. Devemos nos preocupar com a preservação do capital investido, distribuindo os “ovos” nas mais diferentes cestas disponíveis no mercado financeiro, melhorando a relação entre risco e retorno dos investimentos. Isso garante que alcancemos os objetivos de maneira mais tranquila e com menos sustos.

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