Investimentos

Copom eleva taxa Selic a 2,75% ao ano

18/03/2021

Com alta de 75 bps, Copom inicia processo de ajuste.    

Em decisão unânime, o Comitê de Política Monetária do Banco Central anunciou uma alta de 75 bps na taxa Selic, que foi levada a 2,75% - movimento que surpreendeu as expectativas da maioria dos economistas do mercado, que esperavam um aumento de 50 bps.  

No comunicado que acompanha a decisão, o Copom manteve sua avaliação positiva para a recuperação da economia externa, bem como um cenário de retomada consistente da economia local. Apesar disso, alguns pontos importantes foram enfatizados: lá fora, os estímulos fiscais e a manutenção da liquidez vêm provocando questionamentos acerca da inflação nas principais economias desenvolvidas, o que provoca a reprecificação de alguns ativos e torna o ambiente mais desafiador para os emergentes. Aqui, além do agravamento recente da pandemia poder atrasar o processo de recuperação, o prolongamento das respostas fiscais pode piorar a situação das contas públicas ou mesmo aumentar a frustração em relação às reformas, podendo assim elevar o prêmio de risco.  

Sobre a inflação propriamente dita, o comunicado da decisão apontou para a continuidade da elevação nos preços das commodities em moeda local, provocando uma revisão altista nas projeções para os próximos meses. Com isso, no cenário básico do Copom, as projeções para o IPCA situam-se em torno de 5% para 2021 e 3,5% para 2022. Para este ano, portanto, o Copom prevê uma inflação bem acima da meta de 3,75%, próximo inclusive do seu limite superior.  

Diante o cenário inflacionário apresentado, o Comitê de Política Monetária entende que o momento não prescreve mais um grau de estímulo extraordinário, o que justifica o início do processo de normalização – a fim não só de cumprir a meta para 2021, mas garantir a ancoragem para 2022. Com isso, e adotando uma postura mais dura que a observada nos últimos comitês, não só o Copom subiu a taxa Selic em 75 bps na reunião de hoje como também deixou explicitado que, a menos que ocorra alguma mudança significativa nas projeções de inflação ou no balanço de riscos, outra alta de igual magnitude deverá ocorrer na próxima reunião.

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